
A escritora canadense Anne Carson foi anunciada nesta quinta-feira (8) como vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026. A Academia Sueca reconheceu o conjunto da obra da autora, destacando sua capacidade de dialogar com a tradição clássica e, ao mesmo tempo, criar novas formas para a literatura contemporânea.
Segundo a justificativa oficial do prêmio, Carson foi escolhida “por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.
Aos 76 anos, Carson tem uma trajetória marcada pela combinação entre poesia, ensaio, tradução e estudos clássicos. Seu trabalho frequentemente aproxima textos e personagens da Antiguidade de questões contemporâneas, explorando temas como amor, desejo, perda e identidade.
A autora nasceu em Toronto, no Canadá, em 1950. Sua formação acadêmica é ligada aos estudos clássicos e à filologia. Em 1981, publicou sua tese de doutorado em Estudos Clássicos, intitulada Odi et Amo Ergo Sum. Ao longo da carreira, manteve uma relação estreita entre a pesquisa acadêmica, a tradução e a criação literária.
Uma das características mais marcantes da produção de Carson é a dificuldade de enquadrá-la em um único gênero literário. Seus livros combinam versos, prosa, diálogos, ensaio, tradução e referências à literatura da Grécia Antiga.
Entre suas obras mais conhecidas está “Autobiography of Red”, publicada em 1998. O livro retoma o mito de Gerião, criatura alada associada à mitologia grega, e o transforma em uma narrativa contemporânea sobre desejo, rejeição e descoberta pessoal.
Outro trabalho de destaque é “The Beauty of the Husband”, que recebeu o T. S. Eliot Prize. Carson também traduziu autores da literatura grega antiga e desenvolveu trabalhos que aproximam textos clássicos de diferentes linguagens artísticas.
Em “Norma Jeane Baker of Troy”, de 2019, por exemplo, a escritora mistura a história de Helena de Troia, personagem da peça Helena, de Eurípides, com a trajetória da atriz Marilyn Monroe. A obra foi concebida como uma peça para performance.
A presença da literatura clássica é uma das marcas centrais da carreira de Carson. Para a Academia Sueca, porém, a autora não apenas retoma obras antigas: ela utiliza esse material como ponto de partida para experimentar novas formas de expressão.
O Nobel destacou justamente esse movimento entre o passado e o presente. A Academia descreveu a obra da escritora como um diálogo “lúdico” com a tradição clássica, ressaltando a maneira como Carson transforma referências antigas em novas possibilidades literárias.
A própria autora já apontou o estudo da origem das palavras como um dos pontos de partida de seu processo criativo. Essa relação entre filologia e criação poética atravessa boa parte de sua produção.
Como vencedora do Nobel de Literatura, Anne Carson receberá um prêmio de 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a aproximadamente US$ 1,2 milhão.
A medalha e o diploma do Nobel serão entregues durante a cerimônia oficial de premiação, em Estocolmo, em 10 de dezembro, data tradicionalmente associada à morte de Alfred Nobel.
Quem é Anne Carson
Anne Carson nasceu em Toronto, em 1950, e construiu uma carreira que combina literatura e academia. Além de escritora, é conhecida por seu trabalho como tradutora e estudiosa da literatura clássica.
Sua produção inclui poesia, ensaios, traduções e obras que desafiam a divisão tradicional entre gêneros literários. O interesse pela linguagem e pelos textos da Antiguidade aparece de forma recorrente em seus livros.
Com o prêmio de 2026, Carson passa a integrar a lista de escritores reconhecidos pelo Nobel de Literatura desde a primeira edição dos prêmios, em 1901. O Nobel de Literatura do ano passado foi concedido ao escritor húngaro László Krasznahorkai.
A escolha de Carson reforça a característica do Nobel de Literatura de reconhecer não apenas livros individuais, mas o conjunto da trajetória e da contribuição de um autor para a literatura.
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