
A comercialização de camisas de Atlético e Cruzeiro que já foram produzidas com marcas de casas de apostas poderá continuar, mesmo após as novas restrições impostas pelo governo federal ao setor de apostas de quota fixa. O entendimento consta de uma Nota Técnica da Secretaria de Comunicação Social, divulgada após dúvidas sobre o destino dos produtos que já estavam em estoque.
A medida considera que as peças foram fabricadas e distribuídas quando a legislação anterior ainda estava em vigor. Dessa forma, lojas, fabricantes e distribuidores poderão vender os uniformes já produzidos, tanto em estabelecimentos físicos quanto por meio de plataformas digitais.
A autorização, no entanto, é limitada à comercialização dos estoques existentes. As camisas não poderão ser utilizadas por jogadores em partidas ou treinamentos com a marca da bet, nem aparecer em ações promocionais, transmissões, placas, ativações comerciais ou publicações nas redes sociais.
O governo também esclareceu que a orientação não representa uma extensão dos contratos de patrocínio nem cria uma exceção às novas regras. Caso a venda dos produtos seja utilizada de maneira disfarçada para promover ou ampliar a exposição de uma casa de apostas, a prática poderá ser alvo de fiscalização e punição pelos órgãos de defesa do consumidor.
A mudança ocorre após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, em 25 de setembro. A norma restringiu ações de comunicação, publicidade, propaganda e patrocínio de empresas de apostas de quota fixa, atingindo diretamente clubes de futebol que tinham contratos com o setor.
No caso dos clubes, a medida determinou a retirada das marcas de bets de uniformes, estádios, placas publicitárias e redes sociais. As novas regras também provocaram a necessidade de revisão de contratos e de estoques de materiais esportivos que já haviam sido produzidos antes da mudança na legislação.
O Atlético tinha a H2bet como patrocinadora máster desde o início de 2025. O acordo, anunciado em dezembro de 2024, previa validade até dezembro de 2027 e pagamento de R$ 180 milhões fixos ao longo de três temporadas, aproximadamente R$ 60 milhões por ano.
A marca já havia sido retirada do site e das redes sociais do clube no início de outubro. Mesmo assim, apareceu no uniforme utilizado pelo Atlético na partida contra o Bragantino, disputada em 3 de outubro. No fim daquele dia, o clube anunciou oficialmente o encerramento da parceria.
Com a saída da H2bet, o Atlético passou a avaliar alternativas para ocupar o principal espaço comercial da camisa. Entre as possibilidades está a ampliação da exposição de alguma empresa que já integra o grupo de patrocinadores ou a contratação de uma nova marca para o espaço máster.
No Cruzeiro, a parceria envolvia a Flutter Entertainment, controladora da Betnacional. A relação com a empresa começou em 2024, quando a marca estampada no uniforme era a Betfair. No fim de 2025, o grupo alterou o patrocínio para a Betnacional.
O contrato inicial previa R$ 25 milhões por ano. Em 2025, o acordo passou a representar R$ 43 milhões, com possibilidade de chegar a R$ 60 milhões. Após as novas restrições, a empresa informou que os contratos estão sendo analisados individualmente e que seguirá as determinações estabelecidas pelo governo.
Na segunda-feira (5), o Cruzeiro retirou a logomarca da Betnacional de seu site oficial e deixou de utilizar imagens de jogadores vestindo o uniforme patrocinado. Ainda não havia definição sobre a empresa que poderá ocupar o espaço máster da camisa ou se o local permanecerá sem patrocinador neste momento.
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