
Renan Calheiros (MDB-AL) deixará o Senado Federal em 2027, após 32 anos consecutivos no cargo. Aos 71 anos, o senador ficou em terceiro lugar na disputa por uma das duas vagas de Alagoas nas eleições de 2026 e não conseguiu renovar o mandato.
Com 100% das seções eleitorais totalizadas, Renan recebeu 731.045 votos, o equivalente a 22,24% dos votos válidos. Arthur Lira (PP) ficou em primeiro lugar, com 28,87%, seguido por Marina JHC (PSDB), que teve 28,20%. Os dois conquistaram as vagas destinadas ao estado.
A derrota encerra uma das trajetórias mais longas da política brasileira no Senado. Renan assumiu pela primeira vez uma cadeira na Casa em 1995 e foi reeleito em 2002, 2010 e 2018. Com o resultado de 2026, ele não estará entre os senadores que tomarão posse para a próxima legislatura, em fevereiro de 2027.
Antes de chegar ao Senado, Renan já havia construído uma carreira política em Alagoas. Foi eleito deputado estadual em 1978, assumindo o mandato em 1979, e depois chegou à Câmara dos Deputados, onde exerceu dois mandatos entre 1983 e 1991. Em 1998, foi nomeado ministro da Justiça pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, cargo que ocupou até 1999.
No Senado, Renan também ocupou a Presidência da Casa em quatro ocasiões. Foi eleito para o cargo em 2005 e novamente em 2007, quando deixou a presidência ainda durante o mandato. Mais tarde, voltou ao posto em 2013 e foi reeleito para o biênio seguinte, em 2015.
A trajetória de Renan também foi marcada pela atuação em diferentes momentos dos governos federais. Durante os primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador teve papel de articulação da base governista no Senado. Em 2010, o então PMDB lançou Michel Temer como candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT), que venceu a eleição.
A relação política com o governo petista mudou nos anos seguintes. Durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, Renan ocupava a Presidência do Senado e participou da condução do processo na Casa. Dilma acabou afastada definitivamente do cargo após a votação final no Senado.
Anos depois, Renan voltou a assumir posição de destaque em uma investigação de grande repercussão nacional. Em 2021, foi escolhido como relator da CPI da Covid no Senado, comissão que investigou a atuação do governo federal e de autoridades durante a pandemia. Ao final dos trabalhos, o relatório apresentado por Renan propôs o indiciamento de dezenas de pessoas, entre elas o então presidente Jair Bolsonaro (PL).
A eleição de 2026 encerra, portanto, uma trajetória iniciada ainda na década de 1970. Ao longo de quase cinco décadas na política, Renan ocupou cargos no Legislativo estadual, na Câmara dos Deputados, no Ministério da Justiça e no Senado, além de ter comandado a principal Casa legislativa do país em quatro oportunidades.
Com a derrota em Alagoas, Renan ficará fora do Senado pela primeira vez desde 1995. As duas vagas do estado serão ocupadas, a partir de 2027, por Arthur Lira e Marina JHC.
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