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Rússia alerta Otan sobre uso de armas nucleares em caso de isolamento de Kaliningrado

O alerta consta de um documento diplomático enviado à Otan e obtido pela Reuters nesta quarta-feira (30).

30/09/2026 às 11h59
Por: João Vitor Viana
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Vitaly Nevar | Reuters
Vitaly Nevar | Reuters

A Rússia advertiu a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de que poderá recorrer a armas nucleares caso a aliança tente isolar Kaliningrado, território russo localizado às margens do Mar Báltico e situado entre a Polônia e a Lituânia. O alerta consta de um documento diplomático enviado à Otan e obtido pela Reuters nesta quarta-feira (30).

No documento, classificado como um “non-paper”, expressão usada para designar uma comunicação diplomática informal, Moscou acusa a aliança militar de seguir um “caminho perigoso e imprudente”, que, segundo a Rússia, aumenta os riscos de um conflito armado direto entre as partes.

A mensagem também menciona a possibilidade de ataques russos contra centros de tomada de decisão em países membros da Otan desde o início de um eventual conflito. Segundo o documento, Moscou estaria disposta a utilizar “todo o arsenal” de forças e capacidades disponíveis, incluindo armas nucleares, para defender o território de Kaliningrado caso a região fosse isolada do restante da Rússia.

Kaliningrado é um enclave russo estrategicamente localizado no litoral do Mar Báltico. O território não possui ligação terrestre direta com o restante da Rússia e faz fronteira com dois países membros da Otan, Polônia e Lituânia. A posição geográfica da região a torna um dos pontos de maior importância militar no flanco oriental da aliança.

Além do documento enviado à Otan, embaixadas russas em pelo menos três países europeus divulgaram declarações nos últimos dias acusando a aliança de elevar as tensões por meio de exercícios militares e de cenários envolvendo Kaliningrado. Moscou, por outro lado, afirma não ter intenção de atacar países integrantes da Otan e sustenta que qualquer agressão contra o enclave receberia uma resposta considerada necessária pelo governo russo.

A Otan confirmou o recebimento do documento, mas não divulgou seu conteúdo. A aliança afirmou que suas atividades e exercícios têm caráter defensivo e rejeitou as ameaças nucleares russas. O secretário-geral da organização, Mark Rutte, também pediu que Moscou interrompa a retórica nuclear.

Em seus canais oficiais, a Otan afirma que não busca um confronto com a Rússia e considera sua capacidade nuclear parte de uma estratégia de dissuasão. A organização, porém, acusa Moscou de utilizar ameaças nucleares como instrumento de pressão e afirma que acompanha de perto a evolução da situação de segurança na região euro-atlântica.

O novo episódio ocorre em meio às tensões provocadas pela guerra na Ucrânia e pelo aumento da atividade militar no entorno do Mar Báltico. O alerta russo amplia a preocupação com uma possível escalada entre Moscou e a Otan, embora o documento divulgado até o momento apresente a ameaça nuclear como uma resposta condicionada a uma eventual tentativa de isolamento de Kaliningrado, e não como anúncio de um ataque iminente.

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