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Brasil gasta 1/3 do valor médio da OCDE por aluno, aponta relatório

Panorama da Educação 2026 mostra que país investe maior parcela do PIB em educação, mas gasto por estudante segue muito abaixo da média internacional

30/09/2026 às 08h51
Por: Daniel Mendes
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Reprodução: Tomaz Silva/Agência Brasil
Reprodução: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Brasil investiu US$ 4.133 por aluno em 2023, do ensino fundamental à educação superior, valor que corresponde a cerca de um terço (30,39%) da média gasta pelos demais países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de US$ 13.601 por estudante. Os dados fazem parte do relatório Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance 2026), divulgado nesta terça-feira (29) pela organização, com informações de 50 países.

Na comparação regional, o investimento brasileiro também ficou abaixo de outros países latino-americanos: o Chile gastou US$ 5.794 por estudante, e a Costa Rica, US$ 7.028, valores ajustados para neutralizar diferenças no custo de vida entre os países.

Apesar do gasto por aluno mais baixo, o Brasil destina uma parcela maior do Produto Interno Bruto (PIB) à educação em comparação à média da OCDE: 4,5% contra 4% em 2023. Em nota, o Ministério da Educação (MEC) destacou que o relatório mostra queda nos investimentos em educação ao longo de oito anos em todas as localidades analisadas, entre 2015 e 2023, o indicador caiu de 5,5% para 4,6% do PIB no Brasil, e de 4,4% para 4,2% na média dos países da organização com dados disponíveis para os dois anos.

Gasto por aluno cresce conforme o nível de ensino

Segundo o relatório, os gastos governamentais com educação tendem a aumentar de acordo com o nível de ensino, tanto no Brasil quanto nos demais países. No país, o investimento por aluno em 2023 foi de US$ 4.064 por ano no ensino fundamental 1 (1º ao 5º ano), subindo para US$ 4.390 no fundamental 2 (6º ao 9º ano). Nos países da OCDE, as médias para essas mesmas etapas foram de US$ 12.893 e US$ 14.291, respectivamente.

Segundo o superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, o gasto por aluno abaixo da média da OCDE compromete os resultados de aprendizagem, mesmo com a proporção do investimento em relação ao PIB sendo maior que a média da organização, um dado que, segundo ele, deveria ser lembrado sempre que se exige, de forma pouco realista, que o desempenho educacional brasileiro seja equivalente ao de países que investem muito mais por estudante.

Onde vai o dinheiro da educação?

O relatório também divide os gastos em despesas de capital, como investimentos em infraestrutura, e despesas correntes, que cobrem os custos operacionais regulares das atividades educacionais. 

No Brasil, a remuneração de professores e demais profissionais da educação é o maior componente das despesas correntes, respondendo por 75% do orçamento operacional do ensino fundamental, percentual ligeiramente abaixo da média da OCDE, de 79%.

Sobre o relatório

O Panorama da Educação (Education at a Glance) é publicado anualmente pela OCDE e reúne dados sobre educação de todos os países-membros da organização e de parceiros do programa Indicators of Educational Systems (INES), como o Brasil, além de informações de membros do G20 e de países em processo de adesão à OCDE que não integram o INES.

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