
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou, nesta quarta-feira (23), o bloqueio de até R$ 2,7 bilhões em contas e bens de cinco ex-dirigentes do Banco Regional de Brasília (BRB). A decisão foi tomada por unanimidade, em sessão fechada, e está relacionada às operações realizadas entre o banco público e o Banco Master.
O bloqueio tem caráter cautelar e busca preservar recursos para um possível ressarcimento aos cofres públicos, caso sejam confirmados prejuízos nas operações investigadas. O valor exato da medida é de R$ 2,761 bilhões. Os cinco ex-dirigentes terão 30 dias para apresentar defesa.
Quem teve os bens bloqueados
A medida atinge o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa; o ex-diretor de Finanças e Controladoria Dario Oswaldo Garcia Júnior; os ex-superintendentes de Operações Financeiras Robério Cesar Bonfim Mangueira e Wily da Silva Leão; e o ex-presidente do Conselho de Administração Marcelo Talarico.
O TCDF também determinou que o processo tenha tramitação prioritária e seja convertido em Tomada de Contas Especial, procedimento destinado a apurar eventuais responsabilidades e danos ao patrimônio público.
Operações com o Banco Master
A apuração envolve negócios realizados pelo BRB com o Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 após indícios de gestão fraudulenta. A investigação aponta possíveis irregularidades nas operações e na aquisição de carteiras de crédito.
Segundo o TCDF, há suspeitas de que ex-dirigentes do BRB tenham recebido vantagens indevidas para autorizar operações envolvendo carteiras do Master. O valor das transações investigadas pode superar R$ 12 bilhões, mas o tamanho de eventual prejuízo ainda não foi definido.
Relatórios citados no processo também apontam possíveis falhas de governança e de mecanismos de controle interno. Uma das linhas de apuração envolve o suposto fracionamento de operações em valores inferiores a R$ 750 milhões, o que teria permitido que determinados negócios fossem analisados apenas pela Diretoria Colegiada.
Auditoria será enviada ao tribunal
O TCDF determinou ainda que o BRB encaminhe, em até 24 horas, informações de uma auditoria independente contratada para avaliar os possíveis prejuízos relacionados aos negócios com o Master.
A investigação sobre o caso também ocorre no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão do TCDF é cautelar e não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos ex-dirigentes ou sobre a existência de dano aos cofres públicos.
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