
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestaram preocupação com possíveis interferências externas nas eleições brasileiras de 2026, especialmente diante de eventuais pressões provenientes dos Estados Unidos.
Em nota conjunta divulgada nesta semana, as entidades afirmaram que ações externas poderiam afetar, caso ocorram, a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a formação da vontade dos eleitores. O documento também chama atenção para formas de interferência relacionadas ao ambiente informacional e ao uso de tecnologias e plataformas digitais.
ABC e SBPC defenderam que as escolhas políticas dos brasileiros sejam feitas de forma livre e afirmaram que nenhum governo, Estado, grupo econômico ou outro agente externo deve tentar condicionar o processo eleitoral por meio de pressões políticas ou econômicas ou de mecanismos de manipulação de informações.
As entidades também pediram que instituições públicas, comunidade científica e acadêmica, organizações da sociedade civil, meios de comunicação e plataformas digitais permaneçam atentos à integridade do processo eleitoral. Na avaliação apresentada na nota, eventuais ações de interferência devem ser identificadas e investigadas com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito.
A manifestação cita ainda uma iniciativa do Instituto Vladimir Herzog, que levou às Nações Unidas preocupações sobre possíveis ingerências no processo eleitoral brasileiro e pediu atenção internacional para princípios como soberania, não intervenção e respeito ao resultado proclamado pela Justiça Eleitoral, independentemente de quem seja o vencedor.
A preocupação das entidades ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a votação será realizada em 4 de outubro, quando os eleitores escolherão presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.
A nota da ABC e da SBPC também relaciona a proteção da democracia à circulação de informações confiáveis e à liberdade de formação de opiniões. As entidades afirmam que soberania política, científica e digital estão cada vez mais relacionadas à capacidade de um país tomar decisões sobre seu próprio futuro.
A manifestação não aponta uma interferência estrangeira específica já comprovada. O texto trata de alertas e de possíveis formas de ingerência e defende que eventuais ações sejam apuradas com base em evidências.
As duas entidades encerram a nota reafirmando princípios como soberania nacional, autodeterminação, eleições livres e íntegras, não intervenção externa, respeito à Constituição e às instituições democráticas e reconhecimento do resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral.
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