
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu governo poderá utilizar o poderio militar americano para defender os interesses considerados estratégicos dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. Durante o discurso, Trump citou diretamente Venezuela e Cuba e voltou a defender a política de pressão contra governos latino-americanos.
Segundo trechos divulgados pela própria Casa Branca, Trump afirmou que os Estados Unidos não permitirão que ameaças consideradas hostis estabeleçam uma posição no Hemisfério Ocidental. O presidente declarou que, se necessário, Washington utilizará sua força militar para proteger os interesses nacionais americanos.
A Venezuela foi um dos principais pontos abordados. Trump defendeu as ações militares e políticas adotadas pelos Estados Unidos contra o país e apresentou a intervenção americana como parte de uma estratégia de defesa dos interesses de Washington. O discurso ocorreu meses depois da operação militar americana que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, segundo relatos divulgados por veículos internacionais.
Trump também voltou a falar sobre Cuba. O presidente americano afirmou que seu governo busca uma mudança na situação política da ilha e disse que mantém negociações com Havana por meio do secretário de Estado, Marco Rubio. Durante a fala, classificou Cuba como um Estado fracassado e afirmou que a liberdade estaria próxima no país. A delegação cubana deixou o plenário durante o discurso.
A posição de Washington em relação a Cuba já havia sido formalizada neste ano. Em janeiro, Trump assinou uma ordem executiva que declarou uma emergência nacional relacionada ao governo cubano e estabeleceu medidas econômicas contra países que fornecessem petróleo à ilha. No documento, a Casa Branca classificou as políticas do governo cubano como uma ameaça à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos.
Outro alvo do discurso foram os grupos ligados ao tráfico de drogas. Trump afirmou que os cartéis representam uma ameaça à segurança dos Estados Unidos e citou organizações latino-americanas ao defender as operações militares americanas contra o tráfico. O presidente comparou os grupos criminosos a organizações terroristas e afirmou que as Forças Armadas dos EUA foram mobilizadas para combatê-los.
A fala de Trump também foi marcada por declarações sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã. O presidente afirmou que Washington enfrenta uma decisão sobre a possibilidade de alcançar um acordo com Teerã ou ampliar ainda mais a ofensiva militar. Segundo a Reuters, Trump ameaçou destruir o governo iraniano caso não haja um acordo para encerrar o conflito.
Ao defender sua política externa, Trump afirmou que os Estados Unidos recuperaram força e que seu governo estaria disposto a agir diante de ameaças. A Casa Branca divulgou o discurso destacando a defesa da soberania americana, o enfrentamento de adversários e o uso da força para proteger os interesses nacionais.
O discurso ocorreu na abertura do debate geral da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que começou nesta terça-feira e segue até 28 de setembro. A programação oficial prevê a participação de chefes de Estado e de governo de diversos países ao longo da semana em Nova York.
As declarações de Trump recolocam a política americana para a América Latina no centro do debate internacional, especialmente diante das ações de Washington envolvendo Venezuela e Cuba. A referência explícita à possibilidade de emprego do poder militar amplia o tom da política externa americana na região e será acompanhada pelos governos latino-americanos e pelos demais países-membros da ONU.
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