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Redes de TV dos EUA suspendem cobertura conjunta após Trump barrar jornalistas

ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC decidiram não substituir a CNN no sistema de cobertura compartilhada da Casa Branca após o veto a jornalistas

21/09/2026 às 13h15
Por: João Vitor Viana
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Brendan Smialowski | AFP
Brendan Smialowski | AFP

Cinco grandes redes de televisão dos Estados Unidos — ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC — decidiram suspender a cobertura conjunta de eventos presidenciais após o governo de Donald Trump impedir jornalistas da CNN de cumprir uma escala do chamado TV pool da Casa Branca. A medida ocorre dias depois de Trump anunciar restrições ao acesso de profissionais da CNN, MS NOW e Politico.

As emissoras se revezam na produção de imagens de compromissos presidenciais e compartilham o material entre si e com outras empresas de comunicação. Nesta segunda-feira (21), a CNN estava escalada para realizar a cobertura, mas foi impedida de entrar na Casa Branca. As demais redes decidiram não indicar uma substituta.

Em comunicado, Bryan Boughton, chefe do escritório da Fox News em Washington, informou que o pool não faria a cobertura de eventos presidenciais designados para o sistema. A decisão pode afetar a transmissão de compromissos de Trump relacionados à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo reuniões com outros chefes de governo.

O conflito começou na sexta-feira (18), quando Trump anunciou que CNN, MS NOW e Politico seriam impedidos de acessar a Casa Branca. O presidente justificou a medida com acusações de divulgação de informações falsas, sem apresentar, nas declarações citadas, provas específicas que sustentassem as acusações. Os veículos contestaram a decisão.

No sábado (19), jornalistas da CNN e da MS NOW foram impedidos de entrar no complexo da Casa Branca, e credenciais de imprensa foram recolhidas. Tradicionalmente, profissionais de diferentes veículos têm acesso aos espaços destinados à cobertura presidencial para acompanhar entrevistas, pronunciamentos e anúncios oficiais.

Também nesta segunda-feira, CNN, MS NOW e Politico entraram com uma ação na Justiça federal contra o governo Trump. Os veículos pedem a reversão da proibição e a devolução das credenciais aos jornalistas. A ação sustenta que a medida viola direitos previstos na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

Trump afirmou que a decisão não representa um ataque à imprensa livre. Em publicação na rede Truth Social, disse que seu governo pretende combater o que classifica como “fake news” e voltou a acusar os veículos impedidos de acesso de divulgar informações falsas.

O episódio amplia uma disputa entre Trump e organizações de imprensa. Em 2025, a agência Associated Press também teve o acesso a determinados eventos da Casa Branca restringido pelo governo. Na ocasião, a empresa recorreu à Justiça contra as limitações impostas à cobertura.

A decisão das cinco redes altera temporariamente o funcionamento do sistema de cobertura compartilhada da Casa Branca. Enquanto a disputa judicial avança, CNN, MS NOW e Politico permanecem impedidos de acessar o complexo presidencial, e as demais emissoras decidiram não ocupar a escala que caberia aos veículos barrados.

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