
Profissionais da saúde de Belo Horizonte realizaram, na quarta-feira (22), um protesto contra a redução de recursos na área e denunciaram um possível “desmonte” dos serviços públicos. A manifestação ocorreu durante audiência pública no Plenário Amintas de Barros, na Câmara Municipal, convocada para discutir o corte de mais de 4% no orçamento da saúde da capital.
O encontro, solicitado pelo vereador Bruno Pedralva, também passou a abordar os impactos da redução nas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), anunciada pela prefeitura na última semana. Profissionais e representantes sindicais classificaram a medida como “equivocada” e alertaram para riscos à população.
Segundo dados apresentados durante a audiência, a redução pode chegar a cerca de R$ 329 milhões no orçamento da saúde. O parlamentar afirmou que o objetivo da reunião foi buscar alternativas que evitem cortes em uma área considerada essencial. Ele também criticou a destinação de recursos públicos para subsídios ao transporte coletivo, apontando que o valor repassado às empresas no último ano se aproxima do déficit enfrentado pelo município.
A mobilização dos trabalhadores teve início ainda em frente à prefeitura, com caminhada até a Câmara. A principal preocupação é a diminuição do número de profissionais nas ambulâncias do Samu. A partir de maio, cerca de 34 trabalhadores podem ter os contratos encerrados.
Representantes da categoria afirmam que a redução compromete diretamente o atendimento de urgência. Técnicos de enfermagem e enfermeiros relataram sobrecarga e dificuldades operacionais, alertando que a diminuição das equipes pode impactar o tempo de resposta e a qualidade do socorro prestado à população.
De acordo com os profissionais, unidades de suporte básico responsáveis por grande parte dos atendimentos podem passar a operar com menos integrantes, o que, segundo eles, aumenta o risco em ocorrências críticas.
O protesto contou com apoio de parlamentares e lideranças sindicais. Durante a audiência, foi destacada a importância do Samu como política pública consolidada e essencial para o sistema de saúde.
Representantes da área também chamaram atenção para a possível sobrecarga dos profissionais que permanecerem em atividade, além da redução na capacidade de atendimento.
A Prefeitura de Belo Horizonte confirmou a necessidade de ajuste fiscal na área da saúde, com previsão de redução de aproximadamente R$ 50 milhões por mês. Segundo representantes da gestão, a medida faz parte de um processo mais amplo de reorganização orçamentária.
De acordo com a administração municipal, os cortes não são recentes e já vinham sendo discutidos antes da atual gestão. A prefeitura informou ainda que trabalha na busca por novas fontes de financiamento e estuda alternativas para reorganizar as equipes do Samu.
Sobre a redução de profissionais, a gestão explicou que parte dos contratos temporários será encerrada e que haverá uma readequação do quadro, considerando mudanças implementadas desde o período da pandemia.
Ao final da audiência, foi definido o envio de um ofício à prefeitura solicitando reunião com o Executivo para discutir os cortes. Também será formalizado um pedido para suspensão das demissões até que o tema seja debatido de forma mais aprofundada.
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