
Os Centros de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresps) em Minas Gerais têm enfrentado um cenário de superlotação e, na prática, passaram a atuar como unidades de cumprimento de pena definitiva, fugindo da proposta inicial.
De acordo com as informações apuradas pela nossa equipe, ao menos quatro das cinco unidades existentes no estado estão com número de presos acima da capacidade, o que compromete as condições de funcionamento.
Criados para abrigar detentos de forma provisória, especialmente no período entre a prisão e a definição judicial, os Ceresps vêm sendo utilizados por períodos prolongados.
A falta de vagas em presídios faz com que muitos internos permaneçam nessas unidades por mais tempo do que o previsto, transformando os espaços em estruturas permanentes de encarceramento.
Relatórios e inspeções indicam condições preocupantes dentro das unidades, com celas cheias além do limite, infraestrutura inadequada e dificuldades para garantir atendimento básico aos detentos.
Em alguns casos, a quantidade de presos supera significativamente o número recomendado, o que intensifica problemas como insalubridade, riscos à saúde e aumento da tensão interna.
O cenário reflete desafios maiores do sistema prisional em Minas Gerais, que enfrenta déficit de vagas e dificuldade para absorver a demanda.
Com isso, unidades que deveriam funcionar de forma transitória acabam sobrecarregadas, evidenciando uma crise estrutural no setor.
Especialistas defendem a adoção de ações para reverter o quadro, como ampliação da capacidade do sistema, melhorias nas unidades e revisão de políticas públicas relacionadas ao encarceramento.
Enquanto as soluções não avançam, os Ceresps seguem operando além do limite e com função diferente da prevista.
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