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Bloco “O Que Restou de Nós – Helena” resgata a memória do Carnaval tradicional de Lagoa Santa

Aos 106 anos, Dona Helena celebra a folia e se emociona ao ver a tradição do Carnaval ganhar novo fôlego na cidade.

06/02/2026 às 17h27
Por: Marina Menta
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Imagem: Marina Menta / Impactto News
Imagem: Marina Menta / Impactto News

Muito antes das grandes estruturas e eventos, o Carnaval de Lagoa Santa já foi um dos mais tradicionais da região e atraía foliões de diversas partes do país. 

Essa história ganha novo fôlego com a criação do Bloco “O Que Restou de Nós – Helena”, que será lançado neste domingo (8), na Rua João Pinheiro, no bairro Brant.

O bloco tem origem em 1974, quando o município contava com uma escola de samba, com cerca de 500 componentes, fantasias elaboradas e alegorias marcantes, os Unidos do Satã. 

Entre as responsáveis pelo crescimento da escola estavam Dona Helena, Dona Zélia e Dona Naná, mulheres que comandavam a confecção das fantasias e ajudavam a manter viva a tradição carnavalesca na cidade.

Segundo Ernani Carolino, membro do bloco, com o passar dos anos, o Carnaval foi perdendo força. O tempo passou, as pessoas envelheceram, outras se afastaram e, na década de 1980, a festa acabou deixando as ruas de Lagoa Santa. Ainda assim, os laços criados naquela época permaneceram vivos entre amigos, famílias e antigos foliões.

A ideia do bloco surgiu de forma inesperada, segundo Ernani, em uma madrugada de agosto, após um sonho, nasceu o nome “O Que Restou de Nós – Helena”, uma pergunta simbólica que olha para o passado e provoca reflexão: o que restou daquela geração que fez história no Carnaval da cidade? O nome também é uma homenagem direta a Dona Helena, hoje com 106 anos, que segue entusiasmada com a retomada da festa.

A proposta foi apresentada ao grupo em outubro e rapidamente ganhou apoio. Sem patrocínio e sem recursos públicos confirmados até o momento, o bloco está sendo construído de forma coletiva, com investimento dos próprios organizadores e o apoio de amigos, músicos e moradores. A vereadora Lavinia tem contribuído com apoio institucional e familiares dos idealizadores ajudaram a tirar o projeto do papel.

O lançamento oficial acontece neste domingo, 8 de fevereiro, a partir das 13h, na Rua João Pinheiro, em frente à casa da Dona Helena. A programação inclui apresentação musical com artistas locais e show ao vivo, marcando o início de um movimento que já ultrapassou expectativas: mais de 120 abadás foram vendidos antecipadamente.

De acordo com Ernani, mais do que um bloco, “O Que Restou de Nós – Helena” é um reencontro com a história, com as pessoas e com o Carnaval de rua que marcou gerações em Lagoa Santa.

Imagem: Marina Menta / Impactto News

Ao ser perguntado sobre Dona Helena, Ernane fala em tom alegre:

“Falar de Dona Helena nunca foi simples, não por falta de palavras, mas porque nenhuma delas dá conta de quem ela é. Baixinha, de fala mansa e sorriso fácil, ela carrega uma energia que não combina com a própria estatura. O tamanho não condiz com a personalidade, com o espírito festeiro, com a alegria e com a disposição que sempre marcaram sua presença.”

Segundo ele, Dona Helena nunca foi apenas uma personagem das festas. Sempre foi amiga, porto aberto, referência. Sua casa, assim como seu coração, sempre esteve aberta para todo mundo. Quem passou por ali sabe: não existia distinção, não existia porta fechada. Existia acolhimento.

Esse espírito atravessou gerações. A filha, Conceição, e a neta herdaram, quase como uma continuidade natural, essa alegria contagiante, esse gosto pela festa, pelo encontro, pela convivência. Parece que o jeito da Dona Helena foi incorporado, passado adiante, mantido vivo.

Conceição admitiu que adora uma festa, um churrasco e casa cheia. Toda a família herdou um pouco a essência do carnaval, sua filha chegou na Grande Rio e desfila na escola de samba.

Imagem: Marina Menta / Impactto News

Festeira por essência, Dona Helena sempre esteve no centro dos grandes momentos: Carnaval, festas de agosto, aniversários que tomavam a rua em frente à sua casa. O dia 28 de junho, data do seu aniversário, virou tradição, encontro, celebração coletiva. E sempre com ela ali, no meio de tudo, recebendo, sorrindo, cuidando.

“Ela é dessas pessoas raras, que não cabem em classificações. Assim como Dona Naná, outra figura querida e fundamental nessa história, Dona Helena representa o que há de mais bonito nas festas populares: a união, a alegria e o afeto verdadeiro.” Disse Ernani.

Por isso, segundo ele, a homenagem é simples, mas profunda. Colocar Dona Helena no centro do Carnaval, no auge da festa, é reconhecer tudo o que ela sempre foi e tudo o que ainda representa para quem viveu, cresceu e celebrou ao seu lado.

Dona Helena afirmou que após trabalhar tantos anos no Carnaval, agora terá o prazer de apenas assistir de “camarote” na porta da sua casa, este ano. 

“Carnaval é bom demais, eu gosto até hoje. Aqui em casa sempre ficava cheio de gente, e agora estou animada de ver essa alegria de novo.”

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