
A capital mineira amanheceu nesta quarta-feira, (21), sob um cenário de incerteza e acúmulo de resíduos em pelo menos quatro regiões. Já em seu terceiro dia, o movimento dos garis da Sistemma Serviços Urbanos, começou marcado por uma assembleia mediada pela Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais, na qual trabalhadores optaram por continuar a greve.
O encontro, marcado para às 8h na sede da empresa, no bairro São Gabriel, buscava costurar um acordo entre os aproximadamente 200 trabalhadores, que aderiram ao movimento, o Sindicato que representa os Empregados de Asseio, Conservação e Limpeza Urbana de BH e Empregados de Condomínios de BH (Sindeac), a empresa e a Prefeitura de Belo Horizonte para normalizar o serviço de coleta nas regiões Leste, Nordeste e Noroeste.
Ao passar pelo local, foi possível observar faixas de apoio ao movimento estendidas nas grades em frente à empresa, além da circulação de pessoas entrando no espaço, como mostra o registro feito pelo nosso repórter cinematográfico, Suylan Rikelme.
Sem consenso imediato, as tratativas terão continuidade ainda hoje à tarde, em nova audiência agendada na sede do Ministério Público do Trabalho. A audiência será realizada às 15h e pode determinar se os caminhões voltam às ruas ou se esse cenário continuará nos próximos dias.
Após apenas dois dias de paralisação, estima-se que mais de 1,6 mil toneladas de lixo tenham deixado de ser recolhidas, gerando transtornos imediatos à população.
De acordo com representantes do movimento, há um sucateamento da estrutura de trabalho, com caminhões de coleta de lixo em péssimo estado de conservação, o que coloca em risco a segurança da categoria.
Além da falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e da sobrecarga gerada por jornadas excessivas, os trabalhadores cobram o pagamento de FGTS atrasado e a implementação de um plano de saúde, uma promessa que, segundo os manifestantes, aguarda solução há 12 anos.
Uma proposta anterior da empresa, que sugeria a contratação de apenas dez novos funcionários e pedia dez dias para a manutenção dos veículos, foi prontamente rejeitada por ser considerada insuficiente diante da gravidade dos problemas.
Enquanto o impasse não é resolvido na mesa de negociações, a Prefeitura de Belo Horizonte tenta minimizar os danos com um plano de contingência emergencial. Mais de 300 garis e 47 caminhões de outras terceirizadas e da própria Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) foram deslocados para as áreas mais afetadas.
A PBH afirmou que não possui dívidas com a empresa Sistemma e que os repasses financeiros estão rigorosamente em dia, transferindo a responsabilidade da crise para a gestão da prestadora de serviço.
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