
A família de Theo Brant, de 10 anos, vive uma nova fase de mobilização em Belo Horizonte na busca por um doador de medula óssea compatível. O menino enfrenta, pela segunda vez, a leucemia mieloide aguda e precisa de um transplante como parte do tratamento após a recidiva da doença.
Após meses de quimioterapia, internações e complicações clínicas, Theo chegou a receber a notícia da cura, mas exames de rotina no fim do último ano confirmaram o retorno da doença. Desde então, ele voltou ao tratamento intensivo, enquanto familiares e amigos intensificam campanhas nas redes sociais para incentivar o cadastro de novos doadores em todo o país.
De acordo com a mãe, Dénia Brant, todas as possibilidades dentro do banco nacional já foram avaliadas, sem que fosse encontrada compatibilidade total nem mesmo entre parentes próximos. “Se não conseguirmos no Brasil, vamos tentar o banco internacional. Existe ainda a possibilidade de amostras com 50% de compatibilidade, mas isso traz riscos à saúde dele”, explica.
Morador de Belo Horizonte, Theo pode receber uma doação de qualquer região do país. Para isso, é necessário que a amostra de sangue de um doador apresente compatibilidade genética com a dele: uma combinação rara, cuja probabilidade fora da família é de uma a cada 100 mil pessoas.
Tratamento e rotina interrompida
A primeira descoberta da doença ocorreu em novembro de 2023. À época, o tratamento com quimioterapia afastou o menino da escola e das atividades do cotidiano. Em junho de 2024, após a confirmação da remissão, a rotina foi retomada. No entanto, a recidiva mudou novamente o cenário.
Um mielograma solicitado após alterações nas plaquetas confirmou que a medula óssea voltou a produzir células cancerígenas. “Como se trata de recidiva, o tratamento indicado agora é o transplante de medula óssea”, explica Dénia.
Desde o novo diagnóstico, Theo passou a realizar novos ciclos de quimioterapia para conter a doença enquanto a família aguarda a identificação de um doador compatível. Pais e irmãos, incluindo um irmão gêmeo, foram testados, mas nenhum apresentou compatibilidade total.
Durante o tratamento, o quadro clínico é delicado. Segundo a mãe, há períodos de imunidade muito baixa, necessidade de transfusões frequentes e grande desgaste físico. Fora desses ciclos, o menino apresenta melhora, volta a se alimentar melhor e mantém o ânimo, apesar da rotina hospitalar.
Doação de medula
O cadastro como doador é simples e pode fazer a diferença para Theo e milhares de outros pacientes. Qualquer pessoa entre 18 e 35 anos, em bom estado de saúde, pode se inscrever por meio do aplicativo do Redome e comparecer a uma unidade da Fundação Hemominas para a coleta de uma pequena amostra de sangue.
A campanha ganhou ainda mais visibilidade em fevereiro, mês do Fevereiro Laranja, dedicado à conscientização sobre a leucemia. “Apenas 3% da população brasileira está cadastrada. Quanto mais pessoas no banco, maiores as chances de salvar vidas”, reforça Dénia.
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